Texto retirado do jornal Cidade e Sorriso - O jornal prá quem vive numa boa (Edição nº14/2008) Por Deborah Cattani
|
Terça-feira, 20 de Maio de 2008
Primeiras mulheres
datilografado por
Futuros Jornalistas
às
11:33 PM
1 comentários
Domingo, 18 de Maio de 2008
Anseios de Marina
Por Deborah Cattani
Não era um casamento comum. A tarde fria de agosto deixava um sabor áspero nos que entravam na igreja. As nuvens aveludadas e acinzentadas, carregadas de névoa e geadas, andavam lentamente fazendo questão de esconder o sol.
Os devaneios na cabeça de Marina eram muitos. Quase tão grandes quanto as nuvens pesadas. Pequenos cristais d’água brilhavam em seus olhos e desciam lentamente pelo seu rosto borrando a maquiagem recém feita.
Dúvidas ela não tinha, porém sabia que se enfrentasse o seu caminho sofreria. Duas escolhas a cercavam como um véu de seda pura. Sabia que para seguir seu coração teria de renunciar a sua vida. E só de saber aquilo sentia seu coração bater mais forte do que o mundo poderia girar. Sentia como se fosse a única respirando dentro da sala abarrotada de velhas e gordas mulheres, todas emocionadas com a situação.
A igreja, agora cheia, tinha um cheiro quase pútrido de velas. O padre, muito velhinho, estava impaciente no altar. E Rodrigo sentia suas mãos suando. Sabia da verdade. Gostaria muito de poder sair correndo e chorar. Mas tinha conhecimento de que se o fizesse, entregaria sua honra aos presentes como quem vende um móvel velho e obsoleto.
Marina levantou seca, limpou as lágrimas e se dirigiu a porta. Sua decisão estava formada e nada poderia mudar o que decidira. Renunciaria ao seu coração e teria uma vida plena e fácil ao lado de seu futuro marido. Seria esposa, mãe e avó. Tricotaria, cozinharia e limparia a casa. Por mais que odiasse tudo aquilo.
O silêncio se fez ao som da marcha matrimonial. Todos ficaram de pé e viram a noiva. Bela, formosa, a mulher mais bonita daquelas pradarias. Seu rosto manchado e vermelho, com pequenos brilhantes denunciando o seu choro anterior. Caminhou lentamente em direção ao seu futuro.
Parou por um momento. Sentiu vontade de sumir no ar, como o pó levado pelo vento. Entretanto, seguiu seu caminho. Sentia-se predestinada ao sofrimento. Via todos os seus anos de dedicação indo embora.
Chegou ao lado de Rodrigo. Ambos viraram-se para o padre, que agora tentava encontrar seus versos. Murmúrios saltavam de sua boca dirigindo-se ao coração dos noivos. Pequenas alianças escorregaram entre os dedos. Olhares frios entre os noivos. Uma fotografia que parou o tempo. E chegou a hora de sair.
Arroz, buquê, histeria e a próxima vítima. Os noivos são levados a casa do pai de Marina, onde haverá uma comemoração formal. Rodrigo toma uma decisão ao ver um passarinho. Pequeno, lutava contra o vento gélido em busca de um lugar que o acolhesse durante o inverno, pois havia perdido seu bando na partida para um lugar mais quente.
Pousou sua mão sobre a mão de Marina, que imediatamente se retorceu contra. Disse em seu ouvido discretamente que queria lhe contar um segredo e era importante. Marina não deu relevância ao fato e disse necessitar retirar-se. Subiu as escadas para seu quarto no momento mais oportuno e abriu uma gaveta com a chave que carregava consigo.
De lá tirou um lenço e desenrolou-o. Pegou o pequeno vidrinho com um líquido vermelho sangue. Pensou em tudo que seu pai havia lhe dito. Em todo o sofrimento de sua mãe. Pensou em seus sonhos perdidos. Bebeu, gole por gole até secar o vidro. E desceu novamente.
Rodrigo a conduziu para uma varanda, onde as pessoas presentes não poderiam ouvi-los. Segurou as mãos de Marina e assumiu saber de seus desejos. Disse estar preocupado, mas prometeu leva-la para a cidade e dar-lhe uma chance para estudar como sempre quis. Marina sentiu-se tonta com as palavras. Não esperava que a felicidade pudesse um dia bater em sua porta sem aviso. Rodrigo percebeu que seu rosto estava pálido. Então como um último suspiro, Marina desfaleceu em seus devaneios para sempre, enquanto Rodrigo descobriu em seu coração o quanto amava aquela menina-mulher.
datilografado por
Futuros Jornalistas
às
6:45 PM
0
comentários
Quinta-feira, 15 de Maio de 2008
Sobre escolhas, jornalismo e uma menina mulher

Um de seus passatempos é ficar sozinha em casa lendo e ouvindo música – samba rock e música popular brasileira, seus músicos preferidos são Jackson do pandeiro, clube do balanço e Chico Buarque de Holanda. “Ás vezes com namorado, fica muito difícil ter essa oportunidade”, confessa a estudante. Entretanto, se diz uma pessoa sociável: “sou muito curiosa, pergunto tudo quando sou apresentada á alguém”. É bem vaidosa e está sempre arrumada, “como toda mulher, demora um tempão para se arrumar e não cumpre muito os horários”, diz seu namorado. Leitora aficionada em livros de jornalismo investigativo revela ter um “espírito meio idoso”. Segundo ela, livros que retratam a realidade têm maior relevância do que os romances. Tem grande carinho por Caco Barcelos e seu trabalho investigativo nos livros Rota 66 e O Abusado. E é por isso que gostaria de seguir no ramo do jornalismo de investigação. “Mas acredito que seja um pouco sonho sem perspectiva de realização”, diz ela, “porque esse campo está em decadência, os que estão lá fazendo já são os veteranos”.
Faz estágio conveniado à PUCRS no Canal 20 da TV por assinatura. Trabalha na edição de pauta do programa Seis e Meia, e só necessita comparecer na redação duas vezes por semana, o resto do trabalho é feito em casa. Mesmo com essas tarefas, tem tempo para o namorado, Victor Herbst Garcia, que conheceu através do seu ex. Depois de terminar dois anos e meio de namoro, começou a conversar com este amigo, descobrindo várias afinidades em comum. “Somos realmente muito parecidos, acho que até almas gêmeas, pois nos encaixamos em tudo no relacionamento”, conta, agora com sete meses de namoro. Garcia diz que Lisiane é “uma pessoa carinhosa, compreensiva, muito calma, não é muito baladeira”. Um ano mais velho, ele faz curso técnico em administração visando arrumar um emprego para depois poder pagar uma boa faculdade.
O namorado conta que “ela é muito família, gosta de cozinhar (...)”. Lisiane mora com os pais, Arlete Lisboa e Claudemir Sousa. Seu relacionamento com a mãe é aberto e as duas são muito companheiras. “Minha mãe sempre me apoiou muito em todos os sentidos, tem muito orgulho de mim, porque acredita que eu escolhi jornalismo por causa dela, mas não foi. É que ela fez três anos de jornal na PUCRS, mas parou para cuidar dos filhos”, Lisiane diz que Arlete Lisboa cursou jornalismo em 1979. Já seu pai não compartilha do mesmo companheirismo, segundo ela, os dois têm suas “incompatibilidades”. Não possui animais de estimação no momento, mas divide a paixão por cachorros com o namorado.
datilografado por
Futuros Jornalistas
às
4:45 PM
0
comentários
Nomes estranhos
Masintão. Se você tem pulmões e consegue ler isto, alguma vez na sua vida, dou absoluta certeza, alguem lhe comentou (provavelmente que sonorizado por risadas) sobre um nome estranho que viu em algum lugar. Que o pobre bípede devia ter tido problemas quando criança. Que o desgraçado devia ter que aguentar chacota o dia todo. Que a mãe do Umdoistres de Oliveira Quatro só podia ter problema na cabeça.
Ninguem, absolutamente ninguem, falou algo bom sobre o Umdoistres. Na minha interiorização de hoje, percebi que a infância de alguem com um nome complicado pode ser extremamente boa. O leitor não conseguiu imaginar? Mas é óbvio, caros. Quem aqui nunca brincou de esconde-esconde? Acho que a minha geração foi a última a brincar de esconde esconde, salvo engano. Hoje os pimpolhos tem coisas mais interessantes a fazer. Bom, mas de qualquer jeito, alguem se lembra de como era o procedimento para que alguem fosse "pego" no esconde-esconde? O "pegador" tinha que chegar lá no "piques" e gritar "1, 2, 3" e o nome da pessoa que ele tinha achado.
Isso, lá no Parque Thomaz Saraiva I, onde este modesto escriba passou sua infância mais tenra. Geralmente, vostra leitorificência, o rapazote que se escondia via o "pegador" quando o mesmo o via. Sempre rolava uma corrida de volta até o "piques", com uma vantagem pro "pegador" que geralmente estava mais perto.
Entendeu agora, chapa? Imagina se o maldito se chama Josneitonclersiston.
Pegador: Um, dois, três, Josneito...
Josneitonclersiston: UMDOISTREISSALVO!
Pegador: Fidumasputa!
Não é só isso, leitordes. A vantagem do Josneiton...dele, não vai se perder com a idade. Imagina o cara jogando uma peladinha, coisa que qualquer homem joga vezinquando.
Capitão: Zeca, marca o Josneit...
GOOOOOOOOOOOOOOOOOLL!!!!
Zeca: Putz.
Sacou? Longa vida à Bucetildes!
Por Igor Carrasco
datilografado por
Futuros Jornalistas
às
4:37 PM
0
comentários
Terça-feira, 13 de Maio de 2008
120 anos de Lei Áurea
Hoje, dia 13 de maio de 2008, faz 120 anos que a Lei Áurea foi aprovada e os escravos libertados no Brasil. Inacreditável que uma data tão importante não seja feriado. E que a única tentativa de se redimir da sociedade perante os afro descendentes são as cotas. Mas pior do que tudo isso é que ninguém, NINGUÉM mesmo sabia dizer o que que era comemorado nesse dia. Nem mesmo os descendentes de escravos, pardos, negros, imigrantes, índios, entre outros. Há 120 anos atrás libertamos essas pessoas. Será mesmo? Jogar um ser humano na sarjeta, sem casa, comida, dinheiro e roupa, não aceitá-lo como empregado por ser de cor, será que isso pode ser chamado de liberdade? Nosso conceito de liberdade hoje é muito restrito. Trabalhar em um emprego humilhante para ganhar míseros 418 reais por mês que não pagam o supermercado e o transporte diários não é liberdade. Ter de se sujeitar aos preconceitos de outros para garantir um lugar mínimo que seja, dentro dessa imundice de sociedade em que vivemos, isso NÃO é liberdade. E exatamente por isso, que devemos lembrar desta data, pois esta apenas mudou o nome de uma condição e depende de nós, filhos de uma nação paternalista, soltar as algemas e correr para uma liberdade verídica e não pretenciosa.
datilografado por
Futuros Jornalistas
às
5:03 PM
0
comentários



